
A programação da noite começou com a exibição do vídeo “Free style – um estilo de vida”, documentário produzido e dirigido por Pedro Gomes, um dos mais agilizados produtores da cena hip-hop paulistana. O vídeo faz uma investigação sobre o free style, entrevistando alguns dos principais MC´s que atuam nesta “modalidade” de rap, mesclando imagens de arquivo (batalhas de 2004) e depoimentos atuais. O ápice do documentário é a final da Liga dos MC´s 2007, protagonizada pelos MC´s Simpson e Maomé.
O debate foi concluído as 19:30h, quando a segunda etapa da Batalha do Conhecimento foi oficialmente aberta. Metade dos 16 MC´s que participaram da primeira etapa botaram a cara novamente na tentativa de somar pontos na classificação geral. O objetivo geral é concluir a temporada entre os melhores e alcançar uma vaga na grande final.
Entre estreantes, MC´s iniciantes e outros já consagrados a batalha pegou fogo já na primeira fase. Dois embates foram até o 3° round (Nissin X Malone e Emissário X Maomé). O campeão da etapa passada, Nissin, não conseguiu repetir o mesmo desempenho e, depois de uma batalha muito disputada, caiu na primeira fase. Na Batalha do Conhecimento é assim, tem que matar um leão por dia. Se vacilar, já era!
A tabela da 1° fase ficou assim (o vencedor marcado com negrito):
YCE X Osama (batalhando pela primeira vez)
Coé X Fred Meliante
Ernesto X TH
DJ Bola X Rico
Drope X Bizarro
Nissin X Malone
Emissário X Maomé
A tabela da 2° fase ficou assim (o vencedor marcado com negrito):
Coé X YCE
TH X Rico
Drope X Malone
Maomé X LC
O show desta etapa ficou por conta da molecada do Start. Prova do espaço que a Batalha abre para os novos grupos. O destaque da apresentação foi a presença dos avós dos meninos, que garantiu o momento de maior participação do público e ajudou a esquentar um pouco os ânimos.
Com os MC´s devidamente aquecidos, a semi-final rolou num clima diferente. TH e Coé fizeram um embate de alto nível. O primeiro engatou um flow nervoso, disparando rimas em alta velocidade sem perder o fôlego. O segundo investiu na força de sua voz marcante e no uso do quadro. No segundo round Coé atacou: “A rádio em Tupi-guarani anunciou mais um corpo que o caveirão derrubou”. Arrancou a primeira vaga na final.
A segunda vaga, disputada entre Drope e LC, também contou com o uso do quadro. LC tirou sexo e camisinha do quadro e jogou as duas palavras numa mesma rima: “Sexo, claro que com camisinha. Pode ser lá em casa, ou então lá na Rocinha, mas sem calcinha”. O botafoguense só não contava com a inspiração de Drope que, rimando com uma citação a Raul Seixas (!) conseguiu se classificar pra grande final.
A tabela da semi-final ficou assim (o vencedor marcado com negrito):
TH X Coé
Drope X LC
A grande final foi observada de perto por vários MC´s que se acumulavam na parte mais baixa da arena. Se o público não chega junto, os próprios MC´s fazem a coisa acontecer. No final de contas, são eles, ou por que não dizer somos nós?, que piram com a capacidade que os outros tem de construir rimas sinistras.
Os dois MC´s corresponderam as expectativas. Cachaça Crew e Universo, referências a duas grandes famílias do rap carioca, eram as palavras que ocupavam o quadro. Os temas explorados na final não poderiam ser outros: boêmia e amizade. Coé bem que tentou, mas Drope não deu chance! “É difícil ser homem de aço, sou de osso. Mas se quiser pode descer a próxima dose moço”. Tiro certo, vitória justa, 15 pontos pro Drope!
Tabela de pontuação:
Drope: 15 pontos
Nissin: 15 pontos
LC: 10 pontos
Coé: 7 pontos
Malone: 4 pontos
Fael: 3 pontos
TH: 3 pontos
YCE: 2 pontos
Airá:1 ponto
ODD:1 ponto
Panão:1 ponto
Feijão:1 ponto
Rico: 1 ponto
Maomé: 1 ponto
Algumas palavras postas no quadro:
Madureira, Baixada, ronco, eutanásia, crack, cinema, gigolô, cuba, jornal, sistema, autodidata, copo, ditadura, Portela, São Jorge, orgulho, libertação, esporte, exportação, cisco, cristo, Leão de Judah, Jáspion, sexo, Uruguaiana, camisinha, MP3, Resbolah, rádio, Tupi-guarani.
Matéria escrita ao som de:
Rethink: Set on fire
The Roots: Rising down
Matéria por: João Xavi
Fotos: Pedro Gigante